A essência de transformações digitais, ágeis e organizacionais
Transformação Digital

O que Transformação Digital, Organizacional e Ágil têm em comum: Os 4 Domínios da Nower para uma Evolução Contínua

Rafaela Fonseca
| 27 de agosto de 2025

A Essência de Uma Transformação

No mundo atual, a Transformação está na boca de todos, desde os CEOs até as conversas do dia a dia, seja “Transformação Digital”, “Transformação Organizacional” ou “Transformação Ágil”, o fato é que todas as empresas estão passando ou irão passar em breve por algum aspecto transformacional, e isso é um fato porque quem não se transforma, fica para trás.

Mas, afinal, do que realmente estamos falando quando abordamos esse tema? Para nós, da Nower, a Transformação não é meramente sobre adotar novas tecnologias ou instalar frameworks da moda. É, antes de tudo, a capacidade de uma organização se renovar, adaptar e evoluir rapidamente em um ambiente de incerteza e turbulência. Não se trata de um destino, mas de uma jornada contínua, onde diariamente desafiamos o status quo para construir um futuro mais adaptável e sustentável.

Muitas empresas caem na armadilha de pensar que a transformação digital se resume a “virar todo mundo para Squad” ou  que a Transformação Ágil é implementar “o ágil” como uma fórmula mágica. No entanto, nossa experiência mostra que o sucesso reside em uma compreensão mais profunda: Transformação de verdade é aquela que gera resultados diferenciados no mercado.

Qualquer transformação deve ser uma mudança profunda na forma de pensar, onde o foco deixa de ser apenas “fazer e entregar” e se move para aprender e impactar. Organizações que aprendem rapidamente, veem o faturamento, a receita e o lucro como consequência de um aprendizado acelerado, e não como a causa.

Para que essa evolução aconteça de forma eficaz e traga resultados de verdade, é crucial olhar para a organização como um todo, como um ser vivente. É por isso que na Nower trabalhamos as Transformações por Quatro Domínios: Negócios, Cultura, Organizacional e Técnico. Esses quatro domínios são pilares que precisam ser trabalhados em conjunto, muitas organizações falham em suas transformações por se dedicarem a um único domínio em detrimento dos demais, isso não é sustentável, por isso, acreditamos que encontrar um equilíbrio de evolução contínua nos quatro é o grande segredo para evoluir com consistência e resultados. Vamos mergulhar em cada um desses domínios e entender como eles se interconectam na visão da Nower.

Os quatro domínios da transformação digital, organizacional e ágil

1. Domínio de Negócios: O Coração da Transformação

O domínio de Negócios é o ponto de partida e o objetivo final de qualquer transformação genuína. Sem um foco claro no negócio e no cliente, qualquer esforço de mudança pode se tornar ineficaz, gastando dinheiro, energia e tempo em algo que ninguém precisa.

1.1. Obsessão pelo Cliente e Propósito

A essência do domínio de Negócios reside na obsessão pelo cliente. Isso significa não apenas ouvir o cliente, mas realmente conversar com ele, entender seus problemas e como ele os resolve hoje. É uma “escuta ativa” que permite à organização ter insights genuínos e direcionar seus esforços para resolver problemas reais.

O objetivo não é apenas fazer o que o cliente pede, mas entender o porquê ele pede e qual a necessidade subjacente. É sobre criar valor sob a ótica do cliente, definindo e validando hipóteses que realmente atendam a um propósito.

1.2. Foco em Resultados (Outcomes) e não em Entregas (Outputs)

Um erro comum é confundir “entregar” com “gerar valor”. No domínio de Negócios, nós enfatizamos a importância de focar em outcomes (resultados) e não em outputs (entregas). O faturamento, a receita e o lucro são consequências de um aprendizado acelerado.

  • Exemplo Prático: Um produto pode ser “perfeito”, feito dentro do prazo e orçamento, mas se ninguém o usa, ele é ineficaz. O valor real está em resolver o problema do usuário, em como o produto melhora a vida das pessoas – por exemplo, “carregou muito mais rápido hoje” ou “consegui fazer aquilo com muito mais proficiência”.
  • A medição do impacto da comunicação e do desenvolvimento de soft skills nas equipes, por exemplo, pode trazer benefícios concretos, como a economia de tempo em reuniões. Métricas devem modelar o comportamento e direcionar para o que realmente importa, que é o resultado de negócio.

1.3. Fit-for-Purpose: Adequação ao Propósito

Um conceito fundamental para o domínio de Negócios é o Fit-for-Purpose (F4P), que se traduz como “adequado ao propósito”. Ele ajuda a organização a entender se seu produto ou serviço realmente atende às necessidades e propósitos de seus clientes. Isso envolve:

  • Conversar com o cliente: Sair da cadeira e dialogar diretamente com o usuário para entender seus problemas e como ele os resolve.
  • Analisar o mercado: Estar em contato constante com o cliente e o mercado para identificar novas oportunidades ou resegmentar o público, caso o produto se encaixe em um propósito diferente do imaginado.
  • Métricas e Observação: Utilizar métricas para avaliar o quanto se está atendendo aos critérios do consumidor, e fazer “voo por instrumentos” para entender a saúde do negócio. A observação ativa também é crucial para colher insights.
  • Evitar desperdício de esforço: O F4P ajuda a premiar o alvo certo desde o início, evitando desperdiçar esforço em soluções que não têm aderência ao mercado.

1.4. Product-Market Fit: Encontrando o Ponto de Equilíbrio

O Product-Market Fit (PMF) é o ponto de equilíbrio onde um produto atende a uma necessidade real do mercado de forma eficaz. É um processo que nasce de uma visão, transforma uma oportunidade em um modelo de negócios e busca mudar o comportamento das pessoas.

  • Empreendedorismo e Inovação: O PMF é crucial tanto para startups quanto para grandes empresas que buscam inovar. A transformação digital é um terreno fértil para isso, especialmente em mercados como o de fintechs, que atacam segmentos bancários concentrados.
  • Crescimento e Adaptação: Encontrar o mercado certo e se adaptar rapidamente é vital. Empresas que resolvem bem dores reais do cliente e estão em constante sinergia com as mudanças de mercado e das necessidades dos clientes saem na frente e se tornam vanguardistas.

2. Domínio Cultural: O Alimento da Transformação

A cultura organizacional é o terreno onde a transformação floresce ou morre. Ela dita a forma como as pessoas interagem, aprendem e se adaptam.

2.1. Cultura de Experimentação e Aprendizado Contínuo

Aqui na Nower defendemos uma cultura de experimentação, onde é seguro errar e aprender com os erros. Isso contraria a visão tradicional de “acertar de primeira” e incentiva a validação de hipóteses e é o que habilita as pessoas a inovarem de verdade, pois não há descoberta sem riscos, e o que o queremos é tomar riscos calculados, possibilitando erros que geram aprendizado para impulsionar os acertos que vem a seguir.

2.2. Segurança Psicológica e Integralidade

A segurança psicológica é um pilar para que as pessoas se sintam à vontade para experimentar, se posicionar e trazer à tona conversas difíceis. É a base para a confiança e a colaboração.

  • Integralidade: O conceito de integralidade de Frederic Laloux (Reinventando as Organizações), onde as pessoas podem trazer seu “eu” completo para o trabalho, sem precisar deixar partes de si mesmas na porta da empresa, é um fator importantíssimo para a criação de um ambiente seguro.
  • Comunicação Não Violenta (CNV): A CNV é uma ferramenta poderosa para desenvolver habilidades comportamentais e melhorar a comunicação, ajudando a entender sentimentos e necessidades. Ela cria um ambiente de troca e confiança, onde as pessoas podem se expressar de forma autêntica.
  • Propósito comum: clareza de um propósito comum permite que seja construída uma visão compartilhada, conceito trazido por Peter Senge em A Quinta Disciplina como uma das bases para uma organização que aprende. O propósito possibilita o alinhamento cultural em uma mesma direção e facilita a criação e comunicação de valores e comportamentos desejados.

2.3. “Menos Exclamação, Mais Interrogação”: A Busca pelo Questionamento

Uma cultura de transformação é aquela que incentiva a curiosidade e o questionamento. Em vez de apenas trazer respostas prontas, é mais interessante escutar e perguntar mais. Isso se traduz em uma atitude de “menos exclamação, mais interrogação”. É sobre tentar descobrir e investigar, em vez de simplesmente mandar ou imperar.

2.4. Democratização do Conhecimento e Transparência Sistêmica: 

Informações cruciais, como estratégia e objetivos, devem ser amplamente compartilhadas com toda a organização, e não apenas com a alta liderança. A inteligência coletiva é a melhor forma de lidar com eventos inesperados e desafios, permitindo que as pessoas contribuam com suas diversas competências para um objetivo comum. A visibilidade dos problemas, do trabalho em andamento e dos resultados é fundamental para o aprendizado e a melhoria contínua, permitindo que a organização se adapte rapidamente e quebre a ideia de que apenas alguns são “pagos para pensar”. A transparência, incluindo a de falhas e aprendizados, gera confiança e engajamento.

3. Domínio Organizacional: A Estrutura que Habilita

Este domínio trata da forma como a organização se estrutura e se organiza para atingir seus objetivos, evitando gargalos e ineficiências e melhorando seu lead time (ou time to market).

3.1. Liderança Educacional e Servidora

A liderança, na visão da Nower, tem um papel habilitador e educacional. O líder de produto precisa ensinar à empresa o que é produto, treinando seu time e educando a organização sobre a diferença entre projeto e produto.

  • Líder Servidor: O líder deve estar atento às necessidades das pessoas e da organização, buscando agregar valor ao consumidor e não apenas seguir processos. Essa liderança pelo exemplo é uma alavanca crucial para a transformação.
  • Empoderamento e Autonomia: O trabalho do líder é organizar a gestão do trabalho e apoiar o desenvolvimento das pessoas. Isso se conecta com a autonomia, que permite que as pessoas tomem decisões e contribuam de forma mais efetiva, sem a necessidade de microgerenciamento.

3.2. OKRs: Foco no que Realmente Importa

Os Objectives and Key Results (OKRs) são uma ferramenta poderosa para alinhar grandes objetivos a resultados-chave mensuráveis. Eles auxiliam a organização a melhorar a sua capacidade de mudar de rota, ou seja, responder rapidamente à mudanças no mercado ou nas necessidades dos clientes. Quando usamos OKRs trabalhamos em ciclos curtos para reduzir o tempo entre a identificação de um problema/oportunidade e a geração de resultados ou aprendizados que nos coloquem na direção certa.

  • Foco na Disciplina: OKRs têm mais a ver com disciplina do que com qualquer método. Eles ajudam a garantir que as pessoas estejam alinhadas e focadas nos mesmos objetivos, promovendo um esforço intencional de comunicação e distribuição da estratégia.
  • Evitando Disfunções: É comum ver exemplos disfuncionais de OKRs que priorizam apenas entregas ou métricas sem contexto, o que pode gerar ódio e frustração. O objetivo é usar OKRs para potencializar a organização e gerar resultados exponenciais.
  • Cascateamento e Clareza: A estratégia precisa ser irradiada e comunicada de forma simples e escalável, para que todos na organização compreendam e utilizem no dia a dia. Documentos curtos e objetivos são mais eficazes do que longos manuais.

3.3. Flight Levels e Business Agility: Níveis de Voo para a Agilidade

Flight Levels é um modelo de pensamento que ajuda a organização a entender onde precisa mexer para atingir melhores resultados. Ele não é um framework prescritivo, mas uma forma de enxergar e gerenciar o fluxo de trabalho em diferentes níveis:

  • Nível Estratégico (Flight Level 3): Visão de alto nível, conectando estratégia e propósito.
  • Nível Tático/Coordenação (Flight Level 2): Foco na coordenação entre times para atingir objetivos táticos.
  • Nível Operacional (Flight Level 1): O dia a dia dos times, focado na entrega. O Flight Levels ajuda a humanizar a agilidade e a conectar o trabalho dos times com a estratégia do negócio.

3.4. Gestão Horizontal e Delegação de Poder

A gestão horizontal não significa que “todo mundo é gestor” ou que não há estrutura. Pelo contrário, trata-se de desmistificar a ideia de que a gestão é algo exclusivo do gestor e promover a delegação de poder.

4. Domínio Técnico: A Base da Inovação e Qualidade

O domínio técnico é a espinha dorsal de uma Transformação Digital. Sem uma base técnica sólida e práticas de engenharia de software de alta qualidade, os produtos digitais não conseguem entregar valor consistente.

4.1. Qualidade e Time-to-Market: A Dança Perfeita

A Transformação Digital exige que as empresas entreguem produtos digitais com qualidade e velocidade. O time-to-market é crucial no mercado atual, e os testes automatizados são um caminho para alcançá-lo sem comprometer a qualidade.

  • Apoio da Gestão: Para que os testes automatizados sejam eficazes, é necessário engajamento, apoio da gestão e conhecimento técnico.
  • Transformação é um “Bichinho de Quatro Patas”: O foco não deve ser apenas na eficiência do processo ou nas métricas de negócio, mas também na base técnica e cultural. Quando se ignora o domínio técnico, os produtos podem ficar “cheios de bugs” ou não atenderem às necessidades reais dos usuários.
  • Práticas Ágeis: entendemos a agilidade como essência, o Manifesto Ágil, possui muitas práticas de engenharia, e o eXtreme Programming (XP) é um bom ponto de partida para times de tecnologia que buscam entregar com qualidade e rapidez.

4.2. “Não Existe Demanda Técnica, Existe Demanda de Produto”

Esta é uma das máximas da Nower: toda demanda técnica que melhora o produto ou a vida das pessoas é, na verdade, uma demanda de produto. A separação entre área de produto e área de tecnologia cria “silos” e perde conhecimento.

  • Exemplo: Quando um cliente diz que o “aplicativo carregou muito mais rápido”, ele não está se referindo a uma “rota de banco de dados” específica, mas a uma melhoria na experiência do produto.
  • Alinhamento: Negócios e Tecnologia precisam trabalhar aliados, olhando para o mesmo lugar. Quando isso não acontece, é provável que os resultados não sejam bons.

4.3. Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial não é mais uma visão distante do futuro – ela já está revolucionando a forma como as empresas operam, inovam e competem hoje. Quem utiliza IA para otimizar processos, gerar insights e automatizar operações do dia a dia tem maior probabilidade de construir produtos com qualidade e rapidez.

  • Agentes de IA para automação inteligente: – De chatbots cognitivos como o Zendesk AI a ferramentas como o UiPath, que combinam RPA com decisões baseadas em dados.
  • IA generativa para inovação: Soluções como ChatGPT Enterprise, GitHub Copilot e DALL-E estão revolucionando a criação de conteúdo, código e protótipos.
  • Co-pilotos para equipes: Ferramentas como Microsoft Power BI Copilot e Jira AI auxiliam desenvolvedores, gestores e analistas com insights preditivos e priorização.

4.4. Cultura de Documentação e Transparência (Inspirada no GitLab)

Uma cultura técnica forte valoriza a documentação e a transparência, especialmente em contextos de trabalho remoto e assíncrono. O handbook do GitLab é um excelente exemplo disso.

  • Tudo Documentado Publicamente: O handbook do GitLab é um site que documenta tudo sobre a empresa — valores, processos, estratégias, papéis, fluxos de trabalho. Isso garante que a informação seja acessível a todos, independentemente do fuso horário ou localização física.
  • Contribuição de Todos: A filosofia “todo mundo pode contribuir” é central. Não apenas desenvolvedores, mas qualquer pessoa pode contribuir para o handbook ou interagir com o produto.
  • Transparência e Responsabilidade: A estratégia de produto e até os problemas são abertamente discutidos. Isso fomenta uma cultura de “militância” e protagonismo, onde as pessoas se sentem inspiradas a serem agentes de mudança.

 

Conclusão: A Dança Contínua da Transformação

Uma Transformação, na visão da Nower, é uma dança complexa e contínua entre os domínios de Negócios, Cultura, Organizacional e Técnico. Não há uma “receita de bolo” ou um “playbook” fixo. É um processo evolutivo que exige flexibilidade, adaptabilidade e um compromisso inabalável com o aprendizado contínuo.

Como uma empresa que nasceu e vive a agilidade, a Nower acredita que o sucesso não se mede apenas pela entrega, mas pela capacidade de aprender e se adaptar mais rapidamente do que a concorrência. É uma jornada de desmistificar o que é “problema”, transformando-o em oportunidades de melhoria.

A verdadeira transformação acontece quando a organização inteira se move como um “organismo social”, e não como uma máquina. Isso significa valorizar a comunicação, abraçar o conflito de forma construtiva e cultivar um ambiente de segurança psicológica. A liderança tem o papel crucial de “liderar pelo exemplo” e fomentar a autonomia, a integralidade e o foco em resultados.

Em última análise, transformar é sobre humanizar o trabalho e as organizações, tornando-as mais aptas a inovar, quebrar paradigmas e redefinir o mercado. É um convite para que cada indivíduo seja protagonista da mudança que deseja ver no mundo, utilizando a voz, o conhecimento e a experiência com empatia e respeito. É sobre abraçar o problema e evoluir, juntos.

 

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