
Leadership Club, Liderança
O Desafio das Lideranças em 2026: IA vs. a Execução real do dia-a-dia
Carlos Felippe Cardoso
| 19 de janeiro de 2026
Essa cena está se tornando cada vez mais comum nas empresas:
A liderança executiva consegue prototipar uma solução em poucas horas usando IA.
Resolve um problema real, testa hipóteses e enxerga valor.
Sai da conversa animada, convencida de que aquele salto de produtividade é possível.
Dias depois, a mesma demanda chega ao time de produto ou engenharia.
A resposta vem honesta, técnica e correta: “Isso entra no roadmap. Em dois ou três meses a gente consegue entregar.”
Nesse momento a frustração do C-Level vem pesada.
Não é apenas um problema de prazo. É um descompasso gigante entre a velocidade da visão e a velocidade da execução.
Esse gap está se tornando um dos maiores desafios de liderança na era da IA.
Visão acelerada vs. Execução tradicional
A inteligência artificial mudou radicalmente a forma como líderes pensam e experimentam.
Hoje, executivos conseguem validar conceitos, visualizar soluções funcionais e criar MVPs com poucos cliques em um GPT, Lovable e afins.
Isso cria um novo padrão de expectativa.
O problema é que muitos times de engenharia continuam operando com modelos de fluxo, governança e priorização desenhados para outro mundo.
Um mundo sem IA, prototipação instantânea e ciclos de aprendizado tão curtos.
O resultado não é falta de competência técnica. É um conflito de abordagem.
De um lado, a liderança enxergando oportunidades e timing curto.
Do outro, a engenharia protegendo estabilidade, qualidade e evolução incremental.
Ambos estão certos. Mas a conexão entre eles está quebrada.
O gargalo não é mais a tecnologia, é o modelo de trabalho.
Quando executivos já conseguem “ver” a solução funcionando, o atraso da engenharia deixa de ser apenas um problema operacional, vira um problema de confiança.
A pergunta muda:
“Se já sabemos o que funciona, por que não conseguimos colocar isso em produção mais rápido?”
E aqui está o ponto crítico: o gargalo não está na IA, nem nas pessoas. Está no modelo de desenvolvimento.
Modelos tradicionais tratam inovação como exceção, risco e custo.
A IA exige o oposto: experimentação contínua, validação rápida e descarte sem culpa.
Sem um ambiente próprio para isso, a empresa cai em dois extremos igualmente ruins:
- ou ignorar o potencial da IA;
- ou tentar forçar a engenharia a correr sem mudar o sistema – gerando dívida técnica, estresse, retrabalho e problemas de compliance.
O papel da liderança: criar o espaço entre o protótipo e o roadmap
A solução não é “pressionar mais” a engenharia.
É criar um novo espaço entre a visão executiva e o desenvolvimento tradicional: um ambiente controlado de experimentação.
Um espaço onde:
- IA é usada em problemas reais, não em demos bonitas
- Ciclos são curtos (diários ou bi-diários) – aqui usamos muito o evdnc.org que criamos para acelerar essas práticas
- O objetivo não é entregar produção, mas validar valor
- Métricas não medem esforço, mas redução real de tempo e fricção
Esse espaço não concorre com o roadmap. Ele alimenta o roadmap com evidência, não com opinião.
A produtividade real não é correr mais. É encurtar o caminho certo.
Empresas que estão avançando nesse tema entendem que produtividade sustentável não vem de acelerar tudo, mas de aproximar descoberta e decisão.
Quando a organização:
- Mede quanto esforço foi realmente reduzido pela IA
- Identifica quais ferramentas funcionam no seu contexto
- Cria um ritmo comum entre liderança e engenharia
Ela para de discutir expectativa e começa a discutir evidência.
O efeito colateral positivo? Alinhamento:
Executivos passam a entender melhor os limites reais da engenharia.
A engenharia passa a confiar mais nas apostas estratégicas da liderança.
A conversa sai do “por que demora tanto?” e vai para “como podemos acelerar com segurança?”
No fim, não é sobre o hype de IA
É um debate sobre liderança, produtividade e eficiência no mundo real.
Empresas que não resolverem esse descompasso vão enfrentar um ciclo perigoso:
Liderança frustrada, times pressionados, promessas não cumpridas e a sensação constante de estarem atrasados.
Se hoje sua liderança já consegue experimentar soluções em horas, mas sua organização leva meses para absorvê-las…
A pergunta é:
O problema é falta de tecnologia ou falta de um modelo que conecte visão, aprendizado e execução?
É aí que a liderança de verdade começa.
E se quiser falar mais sobre esse assunto, já sabe né?
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Carlos Felippe Cardoso
Co-founder & CEO da Nower e K21. Autor do Leadership Club. Palestrante nos maiores eventos de Agilidade e Product Management do Brasil e da Europa, tem mais de 15 anos de experiência em Transformação Digital e Liderança, especialmente no C-Level. Já ajudou a transformar empresas como UOL, PagBank, Itaú, C&A e Banco Carrefour.
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