
Transformação Digital, VMO (Value Management Office)
Do PMO ao VMO: Como um Escritório de Valor pode potencializar os resultados da sua organização
Lucas Freitas
| 2 de outubro de 2025
Porque o VMO é o próximo passo do PMO:
Você já deve ter visto essa cena: projetos entregues no prazo, dentro do orçamento, com escopo cumprido. Tudo certo no papel. Mas, quando olhamos para o impacto real no negócio, percebemos que a iniciativa não moveu nenhum ponteiro relevante.
Esse é o paradoxo que muitos executivos enfrentam hoje. A disciplina de gerenciamento de projetos trouxe previsibilidade e ordem em um mundo que precisava de controle. O PMO (Project Management Office) nasceu para dar estrutura, padronizar processos e reduzir riscos. Ele continua sendo extremamente relevante.
Mas o jogo mudou. Entregar o combinado não é suficiente. O desafio agora é garantir que cada esforço gere valor, impacto estratégico, retorno financeiro, satisfação de clientes, engajamento das pessoas e aprendizado para o futuro.
É nesse contexto que surge o VMO (Value Management Office), ou Escritório de Valor. Não como substituto do PMO, mas como um próximo passo que amplia sua atuação, conectando estratégia à execução com foco em resultados.
O paradoxo do PMO
O PMO trouxe disciplina a um mundo antes caótico: prazos, custos e escopo passaram a ser gerenciados com rigor. Em muitas organizações, essa estrutura foi e ainda é o alicerce que evita desperdícios e mantém a previsibilidade.
Mas previsibilidade não é sinônimo de relevância. Um projeto pode ser impecável do ponto de vista técnico e ainda assim trazer pouco ou nenhum resultado para o negócio. Essa é a dor atual: muito esforço, pouco impacto.
A pergunta que ecoa nas lideranças é clara:
“O que estamos entregando realmente faz diferença para o negócio?”
Onde os conceitos se complementam
O PMO garante o como: ele zela pela padronização, pela governança de cronogramas, custos e escopos. Ele continua sendo fundamental para reduzir riscos e dar confiabilidade operacional.
Mas o que falta é o porquê. Por que essa iniciativa merece recursos? Qual resultado estratégico ela deve entregar? É aqui que o VMO entra como complemento, não como substituto.
Na prática:
- O PMO cuida da execução confiável.
- O VMO garante que o esforço esteja orientado a resultados.
- Juntos, formam um equilíbrio saudável entre previsibilidade e impacto estratégico.

Onde o PMO garante previsibilidade e onde o VMO complementa com foco em valor.
A evolução dos portfólios digitais
Muitas empresas ainda operam em níveis iniciais de maturidade, com foco em tarefas e entregáveis. Esse modelo até garante visibilidade, mas não conecta esforço a resultado. Para ilustrar essa transição, vale olhar para a evolução dos portfólios em produtos digitais, que mostra como muitas organizações operam em níveis conforme a descrição abaixo:
- Controle de horas e entregas – foco em tarefas, quase nenhuma conexão com resultado gerado.
- Projetos tradicionais – um avanço no acompanhamento, mas ainda orientado a entregáveis, não a resultados.
- Roadmaps e projetos fatiados em sprints – melhora a cadência, mas continua preso ao “projeto aprovado no COMEX”.
- Programas ou iniciativas com retroalimentação (até 3 meses) – começa a surgir aprendizado, mas de forma reativa.
- Iniciativas orientadas a resultado (Orientação mais lean startup – build, measure & learn) – a lógica de portfólio passa a ser fluxo contínuo, guiado por problemas claros e métricas de impacto, uso de OKRs, por exemplo.
- Gestão contínua de iniciativas, serviços e produtos (sem “projeto”) – portfólio dinâmico, com controle orçamentário adaptativo (capex/opex) e conexão direta com unidades de negócio. Modelo mais orientado a produtos ou serviços.
Tomando como base esses modelos, notamos que um PMO “tradicional” fica mais focado nos níveis 1 a 3: forte em controle, mas sem olhar para a geração de valor. O salto acontece nos níveis 4, 5 e 6, quando surge uma lógica de VMO, o escritório de projeto orientado a valor. São nesses níveis que a mudança na forma de trabalhar faz diferença, não apenas no nome (de PMO para VMO), mas na forma de gerir e governar o portfólio da organização.
A causa invisível: esforço ≠ impacto
O problema não está no PMO em si, mas no fato de que ele mede esforço e entregas, quando a liderança precisa enxergar impacto e resultados.
- O PMO olha para dentro: cronograma, escopo, orçamento.
- O VMO olha para fora: clientes, mercado, aprendizado e sustentabilidade.
É essa mudança de perspectiva que faz a diferença.
Esse olhar “para fora” faz toda a diferença. Nós, da Nower, temos aplicado isso bastante em clientes de diversas indústrias conectando a visão de valor com vários outros conceitos como F4P (Fit for Purpose), OKRs, ADKAR para gestão da mudança, entre outros. Fica aqui a indicação do Ep. 241 do nosso podcast – O que é valor? A construção que realmente importa nas organizações
Metáfora prática
Se o PMO é o guardião do cronograma, o VMO é o maestro da orquestra.
O primeiro garante que cada músico toque sua parte corretamente. O segundo assegura que a música inteira faça sentido, emocione e conecte com o público.
O que o VMO traz de novo
O VMO é, essencialmente, um Escritório de Valor. Ele atua como ponte entre estratégia e execução, trazendo clareza e coragem para priorizar o que importa e parar o que não faz sentido.
Seus três pilares principais são:
- Portfólio, Coordenação e Governança – decisões transparentes, priorização clara, alinhamento de ponta a ponta.
- Posicionamento Estratégico – garantir conexão direta com objetivos de longo prazo, evitando decisões políticas ou pressões do curto prazo.
- Gestão da Mudança e Pessoas – engajamento, aprendizado e cultura são fundamentais para que a transformação se sustente.

Pilares de atuação do VMO: portfólio, estratégia e pessoas.
Como medir valor na prática
Falar de valor pode soar abstrato. Por isso, usamos três eixos principais para traduzir impacto em métricas claras:
- Dinheiro: ROI, eficiência, redução de custos, mitigação de riscos.
- Satisfação: NPS, engajamento, satisfação dos colaboradores, confiança de stakeholders.
- Aprendizado: redução de retrabalho, padrões replicáveis, evolução técnica e cultural.
Segue uma recomendação de artigos do blog da k21, que te ajudarão a pensar um pouco mais na dimensão das métricas:
- 🔗 Quais métricas devo usar? – K21 Brasil
- 🔗 Os 3 Níveis das métricas: Diretas, Indiretas e Específicas.
O chamado à liderança
A questão não é se sua organização deve ter um VMO, não estamos advogando aqui pelo nome em questão, mas sim pelo olhar de resultados e valor gerado pela sua organização. Quanto mais cedo a empresa adota uma lógica de gestão de valor, mais rápido corta desperdícios, foca no que realmente importa e ganha clareza para parar o que não gera impacto.
Você já sabe o que sua empresa está entregando. Mas sabe o que ela está realmente gerando?
FAQ rápido
O VMO substitui o PMO?
Não. O VMO complementa. O PMO continua essencial para previsibilidade; o VMO adiciona foco em impacto.
VMO só funciona em empresas digitais?
Não. O VMO pode atuar em qualquer organização que precise alinhar investimentos com resultados, de bancos a indústrias.
Quanto tempo leva para ver resultado?
Em até 90 dias é possível começar a mostrar ganhos, principalmente em decisões de priorização e corte de desperdícios.
Como a Nower pode ajudar
Na Nower, temos acompanhado de perto essa transição em grandes organizações no Brasil e na Europa. Nosso papel é apoiar líderes e executivos a:
- Diagnosticar dores e identificar o nível atual do portfólio.
- Desenhar a estrutura de VMO adaptada ao contexto da empresa.
- Implantar práticas de valor com métricas claras e fóruns de decisão.
- Engajar lideranças e pessoas para sustentar a mudança cultural.
Se a sua organização está buscando dar esse próximo passo, podemos ajudar a transformar o conceito de VMO em prática concreta — adaptada à sua realidade e orientada para resultados.
Um agradecimento especial a Samira Tavares, referência no assunto de Liderança e VMO e que não só me ajudou a escrever o artigo, mas sempre atuamos juntos em cenários de mudança para gestão de valor. Aqui mais uma indicação de podcast sobre o assunto.
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Lucas Freitas
Consultor estratégico na Nower & K21, especialista em Métodos Ágeis, Governança e Design Organizacional, Gestão de Times e Projetos há mais de 10 anos. Responsável por transformações ágeis em grandes organizações de variados segmentos como: Itaú, Volkswagen Financial Services, PagSeguro, Toro Investimentos, Natura, Gerdau e Livelo.
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